AS CORRENTES TEÓRICAS DA EDUCAÇÃO E A FILOSOFIA DA  
CIÊNCIA COMO FUNDAMENTOS PARA A  
LEGITIMAÇÃO DA DIFERENÇA NA CONSTRUÇÃO DE  
UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA  
Resumo  
Introdução: A construção de um sistema educacional inclusivo e democrático exige uma análise  
profunda das bases teóricas e epistemológicas que fundamentam a percepção social e pedagógica sobre  
a deficiência ao longo da história. A transição de modelos segregadores, baseados na exclusão, para  
perspectivas contemporâneas que valorizam a diversidade humana, é o eixo central para a  
transformação da prática docente nas instituições de ensino modernas. Objetivo: Este estudo visa  
analisar a influência das correntes teóricas da educação e das contribuições da filosofia da ciência na  
consolidação de uma educação inclusiva que reconheça, respeite e legitime a diferença das pessoas com  
deficiência no cotidiano escolar. Método: Adotou-se uma abordagem qualitativa de natureza  
multifacetada, com caráter exploratório, descritivo e correlacional. A investigação foi desenvolvida por  
meio de uma revisão bibliográfica sistemática, orientada pelo método hipotético-dedutivo, permitindo  
a análise crítica de conceitos e estratégias identificadas na literatura especializada. Resultados: Os  
achados indicam que a superação do modelo positivista e clínico permite que a escola deixe de focar  
na limitação biológica como um diagnóstico a ser reparado, passando a priorizar as potencialidades do  
sujeito e a remoção ativa de barreiras sociais e pedagógicas. Conclusão: A educação inclusiva  
consolida-se como uma jornada ética e epistemológica contínua que exige a reestruturação sistêmica  
das instituições para acolher a heterogeneidade como regra, garantindo a equidade, o sentimento de  
pertencimento e a valorização das identidades de todos os aprendizes.  
Palavras-chave: Educação Inclusiva; Filosofia da Ciência; Diferença; Equidade; Correntes Teóricas.  
THEORETICAL CURRENTS IN EDUCATION AND THE  
PHILOSOPHY OF SCIENCE AS FOUNDATIONS FOR  
LEGITIMIZING DIFFERENCE IN THE CONSTRUCTION OF  
INCLUSIVE EDUCATION.  
Abstract  
Introduction: Building an inclusive and democratic educational system requires a deep analysis of the  
theoretical and epistemological foundations underlying social and pedagogical perceptions of disability  
throughout history. The transition from segregating models based on exclusion to contemporary  
perspectives that value human diversity is central to transforming teaching practices in modern  
educational institutions. Objective: This study aims to analyze the influence of educational theories  
and contributions from the philosophy of science on the consolidation of inclusive educationone  
that recognizes, respects, and legitimizes the differences of people with disabilities in daily school life.  
Method: A multifaceted qualitative approach was adopted, characterized as exploratory, descriptive,  
and correlational. The research was conducted through a systematic literature review guided by the  
hypothetico-deductive method, enabling a critical analysis of concepts and strategies identified in  
specialized literature. Results: Findings indicate that moving beyond the positivist and clinical model  
allows schools to shift their focus away from biological limitations viewed as diagnoses requiring  
"repair," and instead prioritize the individual's potential and the active removal of social and  
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pedagogical barriers. Conclusion: Inclusive education establishes itself as an ongoing ethical and  
epistemological journey requiring the systemic restructuring of institutions to embrace heterogeneity  
as the norm, thereby ensuring equity, a sense of belonging, and the valuing of every learner's identity.  
Keywords: Inclusive Education; Philosophy of Science; Difference; Equity; Theoretical Currents.  
THEORETICAL CURRENTS IN EDUCATION AND THE  
PHILOSOPHY OF SCIENCE AS FOUNDATIONS FOR  
LEGITIMIZING DIFFERENCE IN THE CONSTRUCTION OF  
INCLUSIVE EDUCATION.  
Resumen  
Introducción: La construcción de un sistema educativo inclusivo y democrático requiere un análisis  
profundo de los fundamentos teóricos y epistemológicos que subyacen a las percepciones sociales y  
pedagógicas de la discapacidad a lo largo de la historia. La transición desde modelos segregadores  
basados en la exclusión hacia perspectivas contemporáneas que valoran la diversidad humana resulta  
fundamental para transformar las prácticas docentes en las instituciones educativas modernas.  
Objetivo: Este estudio tiene como finalidad analizar la influencia de las teorías educativas y de los  
aportes de la filosofía de la ciencia en la consolidación de una educación inclusiva, entendida como  
aquella que reconoce, respeta y legitima las diferencias de las personas con discapacidad en la vida  
escolar cotidiana. Método: Se adoptó un enfoque cualitativo multifacético, caracterizado como  
exploratorio, descriptivo y correlacional. La investigación se llevó a cabo mediante una revisión  
sistemática de la literatura guiada por el método hipotético-deductivo, lo que permitió un análisis crítico  
de los conceptos y estrategias identificados en la bibliografía especializada. Resultados: Los hallazgos  
indican que trascender el modelo positivista y clínico permite a las escuelas desplazar el foco de  
atención desde las limitaciones biológicas vistas como diagnósticos que requieren "reparación" hacia  
la priorización del potencial del individuo y la eliminación activa de barreras sociales y pedagógicas.  
Conclusión: La educación inclusiva se configura como un proceso ético y epistemológico continuo  
que exige una reestructuración sistémica de las instituciones para asumir la heterogeneidad como  
norma, garantizando así la equidad, el sentido de pertenencia y la valoración de la identidad de cada  
estudiante.  
Palabras clave: Educación inclusiva; Filosofía de la ciencia; Diferencia; Equidad; Corrientes teóricas.  
INTRODUÇÃO  
O fenômeno da exclusão no âmbito escolar é uma construção histórica multifacetada,  
alimentada por dinâmicas culturais, financeiras e institucionais que moldam as disparidades sociais. No  
que tange à Educação Especial, essa marginalização ultrapassa a mera barreira do ingresso físico,  
revelando-se em entraves pedagógicos e estruturais que comprometem a permanência e o proveito  
acadêmico dos alunos. Analisando o percurso temporal, observa-se que a transição das organizações  
primitivas para os modelos de segregação da modernidade instituiu uma cultura de rotulação e  
estigmatização, a qual ainda exerce forte influência na organização escolar contemporânea.  
Nesse cenário, torna-se imperativo utilizar a filosofia da ciência e as diversas teorias  
educacionais como alicerces para transformar o ensino. É urgente o distanciamento do paradigma  
clínico-positivista, que interpreta a deficiência apenas sob a ótica de um diagnóstico médico ou uma  
"falha" biológica a ser corrigida, reduzindo o docente a um simples aplicador de métodos reabilitadores.  
Ao ultrapassar esse viés determinista, a ciência da educação passa a validar a diferença como uma  
característica intrínseca do ser humano, exigindo que a escola adote um compromisso ético com a  
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pluralidade.  
A partir dessa premissa, estabelece-se o seguinte questionamento central: de que maneira o  
estudo das correntes teóricas e da história da ciência pode fundamentar o reconhecimento e a  
valorização das singularidades de pessoas com deficiência dentro do sistema inclusivo?  
Trabalha-se com a hipótese de que a apropriação crítica desses referenciais teóricos permite  
desconstruir modelos homogêneos e restritivos. Dessa forma, promove-se uma estrutura educacional  
onde a diversidade é entendida como um fator que potencializa o aprendizado, em vez de ser encarada  
como um impedimento ou limitação.  
O propósito geral desta investigação é examinar o papel das teorias pedagógicas e das bases  
científicas na estruturação de um modelo de inclusão que legitime as diferenças. Entre as metas  
específicas, destacam-se a identificação dos pilares epistemológicos dessas correntes, a análise das  
contribuições científicas para superar a visão excludente e a observação de como esses conceitos se  
traduzem nas diretrizes e ações educativas atuais.  
A metodologia empregada consiste em um estudo de natureza qualitativa, com perfil  
exploratório e correlacional. O trabalho fundamenta-se em uma revisão bibliográfica criteriosa,  
operando sob o método hipotético-dedutivo para garantir uma análise profunda e cientificamente  
embasada.  
METODOLOGIA  
Adotou-se uma abordagem qualitativa de natureza multifacetada, com caráter exploratório,  
descritivo e correlacional. A investigação foi desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica  
sistemática, orientada pelo método hipotético-dedutivo, o que possibilitou a análise crítica de conceitos  
e estratégias identificadas na literatura especializada. Essa escolha metodológica permitiu não apenas a  
descrição dos conteúdos, mas também a formulação de hipóteses interpretativas e a construção de  
inferências fundamentadas, garantindo maior consistência e profundidade à análise. Conforme Silva  
(2026), a pesquisa qualitativa, quando articulada ao método hipotético-dedutivo, favorece a construção  
de interpretações consistentes e contextualizadas, ampliando a compreensão dos fenômenos  
educacionais.  
MARCADORES  
Conforme Silva (2026), a pesquisa qualitativa caracteriza-se pela busca de compreensão  
aprofundada dos fenômenos sociais, considerando os significados atribuídos pelos sujeitos e os  
contextos em que se desenvolvem. Nesse sentido, este estudo adota uma perspectiva qualitativa,  
orientada pela análise teórica da educação inclusiva, com ênfase na valorização da diversidade e na  
compreensão das transformações conceituais e pedagógicas que permeiam o campo educacional.  
DELINEAMENTO E TIPO DE PESQUISA  
A investigação foi delineada como uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, desenvolvida por  
meio da análise de obras acadêmicas, artigos científicos e documentos normativos relacionados à  
educação inclusiva. Conforme Souza e Silva (2026), a pesquisa bibliográfica sistemática possibilita  
contato com produções científicas já consolidadas, favorecendo análise crítica, aproximação entre  
teoria e prática pedagógica e compreensão ampliada do conhecimento produzido.  
“SUJEITOS” E UNIDADE DE ANÁLISE: CORPUS TEÓRICO-DOCUMENTAL  
A unidade de análise deste estudo corresponde ao corpus teórico-documental, constituído por  
livros, artigos científicos recentes e documentos oficiais que abordam a temática da educação inclusiva.  
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Esse corpus foi selecionado de forma criteriosa, considerando a relevância acadêmica, a atualidade das  
produções e sua contribuição para o debate sobre inclusão educacional.  
O estudo fundamenta-se, de forma central, na obra clássica de Carvalho (2005), que constitui  
um marco teórico para a compreensão da evolução das concepções educacionais, especialmente no  
que se refere à superação de modelos excludentes e à valorização das diferenças. A partir desse  
referencial, foram articuladas produções contemporâneas que ampliam o debate e permitem  
estabelecer relações entre diferentes perspectivas teóricas, favorecendo uma análise crítica e  
contextualizada.  
Essa escolha metodológica possibilita compreender a educação inclusiva como um campo  
dinâmico, em constante transformação, no qual coexistem tensões, avanços e desafios. Ao integrar  
obras clássicas e recentes, o corpus documental permite identificar tanto os fundamentos históricos  
quanto as tendências atuais, assegurando maior consistência à análise. Conforme Silva (2026), a  
utilização de um corpus teórico diversificado fortalece a validade interpretativa da pesquisa, pois  
possibilita a triangulação entre diferentes autores e perspectivas, ampliando a compreensão dos  
fenômenos educacionais.  
Dessa forma, a unidade de análise não se limita à descrição das produções acadêmicas, mas  
busca estabelecer conexões entre elas, evidenciando convergências e divergências que contribuem para  
a construção de uma visão crítica sobre a educação inclusiva.  
ABORDAGEM METODOLÓGICA E MÉTODO  
A abordagem adotada neste estudo é qualitativa, crítica e interpretativa, orientada pela  
necessidade de compreender os fenômenos educacionais em sua complexidade e nas múltiplas  
dimensões que os constituem. Mais do que descrever os conteúdos das obras analisadas, buscou-se  
estabelecer conexões entre diferentes autores e perspectivas, evidenciando convergências, tensões e  
contribuições que enriquecem o debate sobre a educação inclusiva.  
Essa opção metodológica permite superar análises meramente descritivas, favorecendo uma  
leitura crítica que considera os contextos históricos, sociais e pedagógicos nos quais os conceitos foram  
produzidos. Conforme Silva (2026), a pesquisa qualitativa crítica possibilita ao pesquisador interpretar  
os fenômenos educacionais em sua totalidade, articulando teoria e prática e valorizando os significados  
atribuídos pelos sujeitos e pelas produções acadêmicas.  
Nesse sentido, a análise buscou identificar não apenas os consensos existentes na literatura,  
mas também os pontos de divergência e as lacunas teóricas que ainda precisam ser exploradas. A  
triangulação entre diferentes referenciais teóricos fortaleceu a validade interpretativa, permitindo  
construir uma visão abrangente e contextualizada da educação inclusiva.  
Além disso, a abordagem interpretativa adotada favoreceu a produção de inferências  
fundamentadas, ampliando a compreensão sobre o papel do professor contemporâneo como mediador  
crítico e agente de transformação social. Dessa forma, a metodologia não se limita à sistematização de  
conteúdos, mas se configura como um processo reflexivo e analítico, capaz de contribuir para a  
consolidação de práticas pedagógicas inclusivas e para a valorização da diversidade como princípio  
estruturante da educação.  
Procedimentos e Fontes  
A coleta de dados foi realizada por meio de fontes secundárias, incluindo livros, artigos  
científicos e documentos oficiais que abordam a temática da educação inclusiva. A seleção dessas  
fontes seguiu critérios de relevância acadêmica, atualidade e pertinência ao objeto de estudo, garantindo  
que o corpus documental refletisse tanto os fundamentos clássicos quanto as contribuições  
contemporâneas.  
O processo metodológico foi estruturado em etapas sucessivas de leitura exploratória, seletiva  
e interpretativa, conforme orientam Silva, Prates e Theodoridis (2026). A leitura exploratória permitiu  
o mapeamento inicial das produções disponíveis, enquanto a leitura seletiva possibilitou a escolha das  
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obras mais significativas para o aprofundamento da análise. Já a leitura interpretativa favoreceu a  
construção de categorias analíticas e a identificação de conceitos-chave, assegurando maior  
consistência teórica.  
Essa sistematização garantiu rigor metodológico, uma vez que possibilitou a triangulação entre  
diferentes fontes e perspectivas, ampliando a validade interpretativa da pesquisa. Além disso, o  
procedimento adotado permitiu estabelecer relações entre autores, identificar convergências e  
divergências conceituais e destacar contribuições relevantes para a compreensão da educação inclusiva.  
Dessa forma, a coleta de dados não se limitou à simples reunião de materiais, mas configurou-  
se como um processo crítico e reflexivo, voltado para a construção de uma análise consistente e  
contextualizada.  
Procedimentos de análise  
A análise dos dados ocorreu de forma qualitativa e crítica, fundamentada em categorias  
analíticas previamente definidas e emergentes do corpus documental. O processo buscou identificar  
padrões conceituais, tensões teóricas e contribuições relevantes para a compreensão da educação  
inclusiva. A triangulação entre diferentes autores e perspectivas teóricas assegurou maior consistência  
e validade interpretativa, permitindo construir uma análise robusta e contextualizada.  
A EVOLUÇÃO DAS CORRENTES TEÓRICAS: DA SEGREGAÇÃO À  
VALORIZAÇÃO  
A compreensão da educação inclusiva exige a análise do percurso histórico das correntes  
teóricas da educação, evidenciando a passagem de modelos marcados pela exclusão e pela  
homogeneização para abordagens que reconhecem a diversidade como elemento constitutivo do  
processo educativo. Nos primeiros momentos, a organização escolar baseava-se em padrões  
normativos que valorizavam a uniformidade, classificando os sujeitos de acordo com sua adaptação às  
exigências do modelo vigente.  
Esse processo favoreceu a consolidação de práticas pedagógicas excludentes, nas quais a  
diferença era frequentemente interpretada como algo a ser corrigido ou ajustado. Nessa direção,  
Carvalho (2005) aponta que a padronização dos sujeitos limita o reconhecimento da diversidade  
humana, reforçando a necessidade de superação de uma educação voltada para poucos e da construção  
de um sistema educacional que valorize as singularidades dos estudantes.  
A exclusão educacional, portanto, não se limita à ausência de acesso à escola, manifestando-  
se também em práticas pedagógicas e organizacionais que dificultam a participação efetiva dos  
estudantes. Nesse cenário, a educação inclusiva deve ser compreendida para além da presença física  
dos alunos, exigindo condições concretas que garantam participação e aprendizagem. Isso implica a  
superação de barreiras de natureza pedagógica, social e cultural, conforme discutem Borsatto et al.  
(2025).  
Sob esse enfoque, a permanência de práticas excludentes no ambiente escolar também se  
relaciona com os processos de produção de desigualdades no interior da sala de aula. Moraes, Santiago  
e Faria (2024) destacam que determinadas práticas pedagógicas podem reforçar essas desigualdades,  
evidenciando a necessidade de transformação do contexto escolar em direção a uma educação mais  
inclusiva.  
Além disso, tais práticas estão vinculadas às limitações estruturais do sistema educacional e às  
fragilidades na formação docente. Nessa perspectiva, Silva, Prates e Theodoridis (2026) evidenciam  
que o professor contemporâneo enfrenta desafios significativos, o que reforça a importância de uma  
formação contínua, crítica e alinhada à diversidade presente no contexto escolar.  
Complementarmente, a construção de práticas inclusivas demanda a adoção de estratégias que  
considerem a acessibilidade em suas múltiplas dimensões. Costa-Renders (2025) destaca que  
abordagens como o Desenho Universal para Aprendizagem contribuem para a organização de práticas  
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pedagógicas mais flexíveis, capazes de atender às diferentes necessidades dos estudantes e promover  
maior equidade no processo educativo.  
Dessa forma, observa-se que a evolução das correntes teóricas da educação está diretamente  
associada à superação de paradigmas excludentes e à construção de uma nova concepção de ensino,  
centrada na valorização da diversidade. Nesse sentido, a diferença deixa de ser compreendida como  
limitação e passa a ser reconhecida como elemento essencial do processo educativo.  
Assim, a transição de uma escola excludente para uma educação inclusiva representa não  
apenas uma mudança metodológica, mas uma transformação epistemológica e ética, na qual a  
valorização das diferenças orienta a organização dos sistemas educacionais e das práticas pedagógicas.  
Filosofia da Ciência e a Superação do Modelo Positivista  
A compreensão da educação inclusiva também requer uma análise epistemológica  
fundamentada na filosofia da ciência, especialmente no que diz respeito à superação do modelo  
positivista, que historicamente influenciou as práticas educacionais. Esse modelo, baseado na  
objetividade e na busca por padrões universais, contribuiu para a consolidação de uma visão  
reducionista do sujeito, na qual a diferença passou a ser interpretada como deficiência ou anormalidade  
a ser corrigida.  
Nesse contexto, observa-se que a influência dessa perspectiva no campo educacional  
favoreceu a adoção de práticas que priorizavam a padronização dos estudantes, desconsiderando suas  
singularidades. Conforme destaca Carvalho (2005), essa abordagem limita o potencial dos sujeitos e  
dificulta a construção de uma educação efetivamente inclusiva.  
A partir dessa crítica, a filosofia da ciência contribui para a ruptura com esse paradigma ao  
propor uma compreensão mais ampla do conhecimento, reconhecendo o caráter complexo, histórico  
e social da realidade educacional. Nessa direção, Silva (2026) ressalta que a adoção de uma perspectiva  
epistemológica crítica permite superar concepções deterministas e excludentes, favorecendo práticas  
pedagógicas mais inclusivas e contextualizadas.  
Essa mudança implica deslocar o foco da deficiência para as potencialidades dos sujeitos,  
compreendendo que as dificuldades de aprendizagem não estão restritas ao indivíduo, mas também às  
barreiras impostas pelo próprio sistema educacional. Nesse sentido, Borsatto et al. (2025) destacam  
que a inclusão deve ser entendida como um processo que envolve a reorganização das práticas  
pedagógicas e das estruturas escolares, com vistas à garantia da participação efetiva de todos os  
estudantes.  
Além disso, a incorporação de abordagens contemporâneas reforça a necessidade de  
superação de práticas tradicionais. Costa-Renders (2025) evidencia que a construção de um ensino  
inclusivo exige estratégias que considerem a diversidade desde o planejamento, promovendo  
acessibilidade e equidade no processo educativo.  
Dessa forma, a superação do modelo positivista representa não apenas uma mudança  
metodológica, mas também uma transformação epistemológica, na qual o conhecimento deixa de ser  
entendido como neutro e universal, passando a ser reconhecido como uma construção social. Essa  
perspectiva contribui diretamente para a legitimação da diferença e para a consolidação de uma  
educação inclusiva comprometida com a valorização das singularidades.  
Assim, a filosofia da ciência assume papel fundamental na reconfiguração das práticas  
educacionais, ao possibilitar a construção de novos paradigmas que reconhecem a diversidade como  
elemento constitutivo do processo educativo e orientam a inclusão como princípio central da educação.  
Legitimação da Diferença e o Conceito de Equidade  
A legitimação da diferença configura-se como um dos fundamentos centrais da educação  
inclusiva, ao reconhecer que a diversidade é inerente à condição humana. Tal compreensão exige a  
superação de concepções normalizadoras que interpretam a diferença como déficit ou inadequação,  
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orientando a formação docente para práticas pedagógicas que integrem saúde mental, desenvolvimento  
humano e respeito às singularidades no processo educativo (Silva, 2026).  
Nessa direção, a educação inclusiva exige uma mudança de postura ética e pedagógica, na qual  
a heterogeneidade dos sujeitos passa a ser compreendida como elemento enriquecedor do processo de  
ensino e aprendizagem. Conforme destaca Carvalho (2005), reconhecer a diferença não significa  
apenas tolerá-la, mas valorizá-la como componente essencial na construção do conhecimento e das  
relações educativas.  
A partir dessa compreensão, o conceito de equidade assume papel fundamental, pois  
ultrapassa a ideia de igualdade formal ao considerar as diferentes necessidades dos estudantes.  
Enquanto a igualdade pressupõe oferecer as mesmas condições para todos, a equidade busca garantir  
condições diferenciadas, assegurando que cada sujeito tenha acesso real às oportunidades de  
aprendizagem.  
Essa perspectiva é reforçada por estudos contemporâneos que indicam que a educação  
inclusiva deve ir além do acesso, garantindo a participação efetiva dos estudantes no processo  
educativo. Nesse sentido, Borsatto et al. (2025) destacam que a inclusão envolve a criação de condições  
que favoreçam a aprendizagem de todos, considerando as múltiplas dimensões que permeiam o  
contexto escolar, como fatores sociais, culturais e pedagógicos.  
Além disso, a efetivação da equidade está diretamente relacionada à organização das práticas  
pedagógicas. Costa-Renders (2025) evidencia que a construção de práticas inclusivas requer a adoção  
de estratégias que considerem a diversidade desde o planejamento do ensino, promovendo  
acessibilidade e flexibilização curricular como elementos fundamentais para a aprendizagem  
significativa.  
Dessa forma, a legitimação da diferença e o exercício da equidade constituem elementos  
indissociáveis da educação inclusiva, uma vez que possibilitam a construção de práticas pedagógicas  
mais justas e comprometidas com o desenvolvimento integral dos estudantes. Nesse sentido,  
reconhecer que tratar todos de forma igual em contextos desiguais contribui para a manutenção das  
desigualdades torna-se essencial para a adoção de práticas que atendam às especificidades de cada  
sujeito.  
Ademais, a construção de práticas pedagógicas equitativas demanda a articulação entre os  
fundamentos teóricos da educação inclusiva e sua aplicação no cotidiano escolar. A formação docente,  
nesse contexto, deve favorecer a integração entre teoria e prática, promovendo o desenvolvimento de  
estratégias que atendam à diversidade dos estudantes. Conforme Souza e Silva (2026), essa integração  
é fundamental para uma atuação docente mais crítica, reflexiva e alinhada às demandas educacionais  
contemporâneas.  
Assim, a educação inclusiva consolida-se como um compromisso ético e pedagógico que  
ultrapassa o simples acesso à escola, buscando garantir condições efetivas de participação,  
aprendizagem e pertencimento, assegurando o reconhecimento e a valorização das diferenças no  
contexto educacional.  
A Educação Inclusiva Como Reestruturação dos Sistemas Educacionais  
A consolidação da educação inclusiva está diretamente relacionada à necessidade de  
reestruturação dos sistemas educacionais, ultrapassando a simples inserção de estudantes com  
deficiência no ensino regular. Trata-se de um processo que envolve transformações nas práticas  
pedagógicas, na organização curricular e na cultura escolar, com o objetivo de assegurar a participação  
efetiva de todos os sujeitos no processo educativo.  
Nesse contexto, a construção de uma escola inclusiva exige a superação de modelos  
tradicionais baseados na padronização dos estudantes e na transmissão mecânica de conteúdos.  
Conforme aponta Carvalho (2005), a educação inclusiva demanda a redefinição do papel da escola,  
que deve atuar como mediadora do conhecimento, reconhecendo a diversidade como elemento  
constitutivo do processo educativo.  
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A reorganização da escola, portanto, envolve a revisão de práticas pedagógicas, metodologias  
e formas de avaliação, tornando-as mais flexíveis e sensíveis às necessidades dos estudantes. Assim, a  
inclusão não se limita ao acesso, mas implica a criação de condições que favoreçam a participação e a  
aprendizagem de todos.  
Além disso, a educação inclusiva fundamenta-se em princípios que orientam a formação  
integral do sujeito. Nessa perspectiva, os pilares da educação propostos pela UNESCO: aprender a  
conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, constituem referências importantes  
para a construção de práticas pedagógicas mais humanas, inclusivas e comprometidas com o  
desenvolvimento pleno dos estudantes (UNESCO, 1996).  
Sob esse enfoque, a efetivação da inclusão também depende da superação de barreiras  
pedagógicas e sociais ainda presentes no ambiente escolar, o que exige mudanças estruturais que  
envolvem toda a comunidade educativa. Nesse sentido, Borsatto et. al. (2025) destacam que a inclusão  
só se concretiza quando são garantidas condições que possibilitem não apenas a presença, mas a  
participação ativa dos estudantes no processo de aprendizagem.  
Ademais, a consolidação da educação inclusiva está associada à implementação e ao  
fortalecimento de políticas públicas educacionais. Estudos recentes indicam que a trajetória da  
educação especial na perspectiva inclusiva no Brasil é marcada por avanços e desafios, especialmente  
no que se refere à efetivação das diretrizes que asseguram o acesso, a participação e a aprendizagem  
dos estudantes (Haas; Baptista, 2025).  
Dessa forma, a educação inclusiva configura-se como um compromisso ético e pedagógico  
que exige a transformação das práticas educacionais e da organização escolar. Trata-se de um processo  
contínuo, no qual a escola passa a reconhecer e valorizar as diferenças, promovendo o pertencimento,  
a participação e o desenvolvimento integral de todos os estudantes.  
RESULTADOS E DISCUSSÃO  
Os resultados obtidos a partir da análise bibliográfica sistemática evidenciam que a educação  
inclusiva encontra sustentação em diferentes correntes teóricas contemporâneas e na filosofia da  
ciência, as quais contribuem para legitimar a diferença como elemento constitutivo do processo  
educativo. Estudos recentes, como os de Krummenauer, Giordani e Lopes (2025), demonstram que  
práticas pedagógicas inclusivas se consolidam quando reconhecem os tempos e modos singulares de  
aprender, reforçando o papel da docência na valorização da diversidade.  
Da mesma forma, Silva Neto e Sá (2025) destacam que a inclusão escolar contemporânea exige  
não apenas acesso, mas também permanência e pertencimento, o que implica em políticas públicas  
consistentes e práticas pedagógicas transformadoras. Complementarmente, Januário e Cruz (2023)  
apontam que, apesar dos avanços legais, ainda persistem barreiras estruturais e pedagógicas, reforçando  
a necessidade de reorganização curricular e fortalecimento da formação docente. Nesse sentido, a  
filosofia da ciência contemporânea, ao problematizar os paradigmas positivistas e propor uma visão  
plural e democrática do conhecimento, legitima a diferença como princípio epistemológico e  
pedagógico para a construção de uma educação inclusiva e equitativa.  
Correntes Teóricas da Educação  
A análise revelou que as correntes humanista, crítica e sociointeracionista oferecem bases  
consistentes para a valorização da diversidade. A perspectiva humanista enfatiza o respeito à  
singularidade do sujeito e a promoção da autonomia, destacando que práticas pedagógicas inclusivas  
devem reconhecer os diferentes modos de aprender e ensinar (Krummenauer; Giordani; Lopes, 2025).  
A abordagem crítica, atualizada por estudos recentes, evidencia a necessidade de superar práticas  
excludentes e promover uma educação emancipatória, pautada na equidade e na justiça social (Silva  
Neto; Sá, 2025). Já a sociointeracionista, revisitada em pesquisas contemporâneas, reforça a  
importância das interações sociais e culturais na construção do conhecimento, legitimando a diferença  
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como parte essencial do desenvolvimento humano e da aprendizagem significativa (Januário; Cruz,  
2023).  
Essas contribuições atuais demonstram que a educação inclusiva, ao se apoiar em diferentes  
correntes teóricas, reafirma a diversidade como princípio estruturante e como condição para a  
efetivação de práticas pedagógicas democráticas e transformadoras.  
Filosofia da Ciência e Legitimação da Diferença  
A filosofia da ciência contribui para a compreensão da educação inclusiva ao problematizar os  
paradigmas que sustentam a produção do conhecimento. A transição de modelos positivistas para  
perspectivas pós-modernas e críticas evidencia a valorização da pluralidade de saberes e experiências  
(Kuhn, 1998; Santos, 2008). Nesse sentido, a diferença deixa de ser vista como obstáculo e passa a ser  
reconhecida como condição epistemológica para a construção de uma ciência mais democrática e  
inclusiva. Conforme Silva (2026), a pesquisa qualitativa crítica favorece interpretações consistentes e  
contextualizadas, ampliando a compreensão dos fenômenos educacionais e legitimando a diversidade  
como princípio estruturante.  
Educação Inclusiva como Síntese  
Os resultados apontam que a educação inclusiva se consolida como uma síntese entre  
fundamentos teóricos e filosóficos, articulando práticas pedagógicas que reconhecem e valorizam as  
diferenças. A análise crítica das obras consultadas evidencia convergências entre autores que defendem  
a inclusão como direito e como prática pedagógica transformadora (Carvalho, 2005; Gil, 2025), mas  
também revela tensões relacionadas às resistências institucionais e às limitações estruturais dos sistemas  
educacionais (Almeida et al., 2023).  
Discussão  
A discussão evidencia que a legitimação da diferença na educação inclusiva não se restringe ao  
campo pedagógico, mas envolve dimensões epistemológicas e filosóficas. A valorização da diversidade,  
sustentada pelas correntes teóricas da educação e pela filosofia da ciência, fortalece a construção de  
práticas educativas mais humanas e democráticas. Além disso, destaca-se o papel do professor como  
mediador crítico, capaz de articular teoria e prática e promover ambientes de aprendizagem que  
respeitem e potencializem as singularidades dos estudantes (Souza; Silva, 2026).  
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A análise desenvolvida ao longo deste estudo permitiu compreender que a educação inclusiva  
constitui um processo em constante construção, marcado pela superação de modelos tradicionais e  
pela valorização da diversidade como elemento fundamental do processo educativo. Historicamente,  
a organização escolar foi estruturada em torno de práticas pedagógicas que privilegiaram a  
padronização dos estudantes, reforçando uma lógica de homogeneização que, embora buscasse  
eficiência, acabou por limitar o reconhecimento das singularidades e dificultar a participação efetiva de  
todos no processo educativo.  
Diante da problemática proposta, que buscou compreender como a evolução das correntes  
teóricas contribui para a construção de uma educação inclusiva, os resultados indicam que essa  
transformação ocorre a partir da ruptura com paradigmas excludentes e da adoção de uma perspectiva  
que reconhece a diversidade como constitutiva do processo educativo. Essa mudança não se restringe  
ao campo pedagógico, mas envolve dimensões epistemológicas, filosóficas e políticas, uma vez que a  
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inclusão exige repensar os fundamentos da própria ciência da educação e sua relação com os sujeitos  
e contextos sociais.  
Nesse sentido, a hipótese levantada, de que a educação inclusiva se fundamenta na superação  
de modelos tradicionais e na valorização das diferenças, foi confirmada. A análise teórica demonstrou  
que a inclusão depende de mudanças profundas nas concepções educacionais, nas práticas pedagógicas  
e na organização dos sistemas de ensino. A escola, portanto, deve ser entendida como espaço de  
transformação social, capaz de promover não apenas o acesso, mas também o pertencimento e a  
aprendizagem significativa de todos os estudantes.  
Além disso, os objetivos do estudo foram alcançados, uma vez que foi possível analisar a  
evolução das correntes teóricas da educação, compreender o papel da filosofia da ciência na superação  
do modelo positivista, discutir o conceito de equidade e identificar a necessidade de reestruturação dos  
sistemas educacionais como condição para a efetivação da inclusão. Essa reestruturação implica em  
políticas públicas consistentes, formação docente contínua e práticas pedagógicas inovadoras que  
reconheçam e valorizem a diversidade como princípio estruturante.  
Conclui-se, portanto, que a educação inclusiva não se limita ao acesso físico à escola, mas exige  
a construção de práticas pedagógicas que garantam a participação, o pertencimento e a aprendizagem  
significativa de todos os estudantes. Tal perspectiva está alinhada aos princípios de formação integral,  
como os pilares da educação propostos pela UNESCO: aprender a conhecer, aprender a fazer,  
aprender a conviver e aprender a ser, e reforça o papel da escola como espaço de cidadania e  
transformação social.  
Assim, a efetivação da educação inclusiva depende de um compromisso coletivo, que envolve  
não apenas os sistemas educacionais, mas também a sociedade em sua totalidade. Políticas públicas,  
formação docente, gestão escolar democrática e práticas pedagógicas inovadoras devem convergir para  
a construção de uma educação mais justa e equitativa. A valorização da diversidade, nesse contexto,  
não é apenas um princípio pedagógico, mas um projeto político e ético que reafirma a dignidade  
humana e a necessidade de construir uma sociedade verdadeiramente democrática.  
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Cortez, 1996.  
Submetido em junho de 2026  
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Aprovado em agosto de 2026  
Informações do(a)(s) autor(a)(es)  
Nome do autor: Rômulo Terminelis da Silva  
Grau de escolaridade: Pós-doutorando em Educação, com Ênfase em Educação Física - Logos  
University. Paris, França.,  
Afiliação institucional: Logos University International, Unilogos  
Nome do autor: Kaylla Yasmin Mendes Souza Viana  
Grau de escolaridade: Acadêmica de Licenciando em Química.  
Afiliação institucional: Universidade Estadual de Roraima-UERR. - Campus Boa Vista  
Nome do autor: Wellington Kennedy Nicacio Coimbra  
Grau de escolaridade: Acadêmica Graduado em Matemática e Licenciando em Física  
Afiliação institucional: Universidade Estadual de Roraima-UERR. - Campus Boa Vista  
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